E se o próximo grande capítulo das "canetas emagrecedoras" não estiver no corpo, mas no cérebro?

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, acaba de fechar um acordo bilionário para adquirir a AtaiBeckley, empresa que desenvolve tratamentos psicodélicos para condições de saúde mental.

Não. Isso não significa que Mounjaro cause depressão ou outros transtornos psiquiátricos. Seria irresponsável afirmar isso sem evidências.

Mas existe uma discussão que, na minha opinião, ainda está sendo pouco explorada: estamos colocando medicamentos para emagrecimento nas mãos de milhões de pessoas — muitas delas buscando não apenas saúde, mas uma transformação estética rápida — e ainda estamos aprendendo sobre os efeitos dessa nova realidade sobre comportamento, imagem corporal, relação com a comida e saúde mental.

A questão não é ser contra as canetas.

É entender que obesidade não é apenas um problema de peso. E emagrecimento também não deveria ser tratado apenas como um problema de peso.

Quando uma pessoa perde 20, 30 ou 40 quilos, o corpo muda. Mas a cabeça necessariamente acompanha essa transformação? Essa é uma pergunta que merece muito mais atenção.

Medicamento pode ser ferramenta. Não pode ser estratégia completa.

E talvez a movimentação da Lilly seja um sinal de que a indústria farmacêutica já percebeu algo que nós ainda estamos começando a discutir: o próximo grande mercado da saúde pode estar justamente na interseção entre metabolismo e cérebro.

Você acha que estamos preparados para isso?