O famoso meião usado nas academias do Rio de Janeiro não é modismo à toa — existe uma explicação prática por trás dele.
Questão de estética, moda, higiene ou puramente prática? Os cariocas viram motivo de piada em vários estados brasileiros por causa das meias que muitas mulheres usam nas academias na altura dos joelhos. Mas não é uma questão meramente estética — é um mecanismo desenvolvido por quem já sofreu, literalmente, com os efeitos colaterais da atividade física em academia.
Ao se exercitar, seja em aulas de ginástica localizada ou na musculação, é comum entrar em contato com aparelhos ou caneleiras na região entre o joelho e o pé — itens de uso coletivo, sem controle sobre por quem foram utilizados nem em que condições foram deixados. Muitas academias mantêm sprays de álcool para higienizar os aparelhos, mas nem sempre isso é suficiente: o álcool 70% seria o ideal, mas nem toda academia usa a concentração correta, e às vezes o produto é diluído em água para render mais.
Já existem relatos de pessoas que tiveram alergias, contraíram micoses e até mesmo sarna nesse contato direto. O meião protege justamente essa região, evitando que ela se suje. Por que não usar calça comprida em vez disso? Em cidades quentes, treinar de calça comprida é bem mais desconfortável — e o meião pode ser abaixado quando a proteção não for necessária, o que a calça não permite.
Muitas alunas também usam o meião como "porta-trecos", guardando celular, chave e prendedor de cabelo. Outra função prática é proteger a perna no trajeto de casa até a academia, especialmente após procedimentos estéticos como depilação — o meião protege na rua e pode ser abaixado ao chegar.
Há também um motivo mais técnico: calças costumam fazer as caneleiras deslizarem durante o exercício, especialmente em movimentos de três apoios. A localização exata da caneleira é importante tanto para o resultado quanto para evitar lesões. Meiões costumam ser frisados, com nervuras que não escorregam e mantêm o equipamento no lugar certo — e essas nervuras também acabam dando um efeito estético, já que a panturrilha é um grupamento muscular naturalmente difícil de hipertrofiar.



