Existe uma crença popular de que musculação e anabolizantes causam disfunção erétil. É hora de separar o que é mito do que é risco real.

Da mesma forma que existem verdades inconvenientes que muita gente insiste em desacreditar (como o fato de que milagres para emagrecer rapidamente não existem), também existem mentiras convenientes nas quais algumas pessoas parecem ter prazer em acreditar. Uma das principais é que quem pratica muita musculação ou usa anabolizantes vai sofrer disfunção erétil, o popular "ficar broxa", ou que o pênis vai encolher.

Para começo de conversa: musculação não deixa ninguém "broxa". O argumento popular — de que o sangue que deveria ir para o pênis durante a ereção acaba indo todo para os músculos maiores — simplesmente não existe. Pelo contrário: estudos comprovam que a musculação melhora a potência sexual e a fertilidade masculina, porque deixa a pessoa mais saudável, com menos gordura corporal, e aumenta os níveis de testosterona, o grande determinante hormonal do rendimento sexual masculino. Homens que praticam musculação regularmente tendem a ter mais testosterona — e por isso mais potência sexual — do que sedentários.

Já os anabolizantes são medicamentos e devem ser usados com muito cuidado e cautela. Existem pessoas que simplesmente não podem usá-los, porque as consequências podem ser sérias. Qualquer medicamento mal utilizado, na dose incorreta ou de forma irresponsável, pode causar efeitos indesejados, incluindo disfunção erétil.

Isso não quer dizer que todo homem que usa anabolizantes automaticamente fica "broxa" — isso é um mito. O anabolizante, quando usado com prescrição médica adequada, na dose e pelo tempo corretos, não leva à disfunção erétil; pelo contrário, doses maiores de testosterona tendem a aumentar libido e potência sexual. Também não existe relação comprovada entre o uso correto de anabolizantes e ejaculação precoce.

Por que, com acompanhamento médico, esse "efeito colateral" geralmente não ocorre? A testosterona é o hormônio responsável pela libido, e o corpo produz naturalmente uma certa quantidade dela. Quando você acrescenta mais testosterona de forma artificial, o corpo entende que já tem o suficiente e suspende temporariamente sua própria produção enquanto a dose extra estiver entrando.

Quando a dose extra é interrompida, o corpo pode demorar um pouco para retomar a produção normal. É por isso que um bom acompanhamento médico pode prescrever, se necessário, medicamentos que estimulam essa retomada — embora na maior parte dos casos o corpo volte a produzir sozinho.

Isso não significa que não existam riscos: usado de forma errada, o anabolizante pode sim causar disfunção erétil e outros problemas sérios de saúde. Mas isso não faz do anabolizante, em si, uma "máquina de broxar homens" — qualquer remédio usado de forma indiscriminada, na dose errada e pelo tempo errado, pode fazer mal.