Existe uma idade exata em que a força física começa a cair? Um estudo que acompanhou as mesmas pessoas por 47 anos seguidos sugere que sim — e o ponto de virada chega mais cedo do que a maioria imagina.
A pesquisa, conduzida por Westerståhl e colaboradores e publicada em 2025 no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle, uma das revistas mais respeitadas do mundo em fisiologia muscular, acompanhou 427 pessoas (48% mulheres) dos 16 aos 63 anos de idade, com testes físicos repetidos periodicamente ao longo de quase cinco décadas. É um dos estudos longitudinais mais longos já feitos sobre capacidade física humana — em vez de comparar grupos de idades diferentes em um único momento (o método mais comum e mais sujeito a viés), os pesquisadores mediram as mesmas pessoas repetidas vezes conforme elas envelheciam.
Os números mostram que a capacidade aeróbica e a resistência muscular (medida por repetições no supino) atingem o pico entre os 26 e os 36 anos — ou seja, por volta dos 35 anos a maioria das pessoas já está na reta final do seu auge físico. A partir daí, o declínio começa devagar, entre 0,3% e 0,6% ao ano, mas acelera de forma significativa depois dos 60 anos, chegando a 2% a 2,5% ao ano.
A potência muscular — medida pelo salto vertical, a capacidade de gerar força rapidamente — segue uma curva diferente e atinge o pico ainda mais cedo: aos 27 anos nos homens e aos 19 anos nas mulheres. Esse tipo de capacidade física, ligada à explosão e à velocidade, é também a que mais importa para prevenir quedas e manter mobilidade na terceira idade — o que reforça a importância de treiná-la ao longo de toda a vida adulta, não só na velhice.
No total, aos 63 anos, os participantes do estudo já haviam perdido entre 30% e 48% da capacidade física que tinham no auge. Mas há uma boa notícia escondida nos dados: pessoas fisicamente ativas na adolescência e ao longo da vida adulta apresentaram desempenho entre 5% e 10% melhor do que a média em qualquer ponto do estudo — uma vantagem que se manteve mesmo décadas depois.
Na prática, a mensagem do estudo não é motivo para alarme, e sim um convite à ação: o declínio físico relacionado à idade é real e começa mais cedo do que se costuma pensar, mas ele não é fixo nem inevitável no seu ritmo. O treino de força regular, principalmente a partir dos 30 e 40 anos, é a ferramenta mais estudada para desacelerar essa curva.


