Outubro Rosa não é só sobre mamografia. É também sobre o que você já pode controlar agora — e a ciência tem dados reais sobre o papel da musculação e da atividade física na prevenção do câncer de mama.

Outubro Rosa é, antes de tudo, uma campanha sobre rastreamento e diagnóstico precoce — e isso continua sendo o fator mais determinante para o desfecho da doença. Mas há outro lado dessa conversa que recebe menos atenção: o papel da atividade física na prevenção. E aqui a evidência científica já é robusta.

Uma meta-análise publicada no Breast Cancer Research and Treatment (Wu, Zhang & Kang, 2013), que reuniu 31 estudos prospectivos e mais de 63 mil casos, encontrou que mulheres fisicamente ativas têm, em média, 12% menos risco de desenvolver câncer de mama do que mulheres sedentárias. O efeito foi ainda mais forte em grupos específicos: mulheres com IMC abaixo de 25 tiveram 28% menos risco, mulheres na pré-menopausa, 23% menos risco, e entre os tumores com receptores hormonais negativos — um subtipo mais agressivo — a redução chegou a 20%. O estudo também mostrou uma relação dose-resposta clara: cada 10 MET-h de atividade recreativa por semana (o equivalente a cerca de 4 horas de caminhada ou 1 hora de corrida) reduziu o risco em mais 3%. Quanto mais consistente a atividade, maior a proteção.

E o treino de força, especificamente? Uma revisão sistemática publicada no International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity (Nascimento et al., 2021), que reuniu 12 estudos observacionais com mais de 1,2 milhão de participantes, encontrou que quem pratica atividades de fortalecimento muscular — como a musculação — duas vezes ou mais por semana tem 19% menos risco de morte por câncer (de qualquer tipo) em comparação com quem treina força com menos frequência. Quando o treino de força é somado à atividade aeróbica, a redução na mortalidade por câncer chega a 28%. Uma ressalva importante: nesse levantamento, a única redução significativa na incidência de um tipo específico de câncer apareceu para o câncer de rim (26% menor) — para o câncer de mama, os dados de incidência não mostraram associação estatisticamente significativa com o treino de força isolado. Ou seja: a musculação parece proteger mais claramente contra a mortalidade geral por câncer do que contra o surgimento do câncer de mama em si; essa proteção mais específica aparece com mais força nos estudos sobre atividade aeróbica e recreativa, como o de Wu, Zhang & Kang.

Na prática, isso não muda a recomendação — só a explica melhor: combine musculação e atividade aeróbica. O treino de força constrói e mantém massa muscular, melhora a sensibilidade à insulina e reduz a inflamação sistêmica, fatores ligados ao risco de câncer em geral, enquanto a atividade aeróbica regular tem a evidência mais direta de redução do risco específico de câncer de mama. Juntas, as duas formas de treino parecem proteger mais do que qualquer uma isoladamente.

Nenhum programa de treino substitui o autoexame, a mamografia e o acompanhamento médico — isso continua sendo insubstituível. Mas a ciência é clara: manter-se fisicamente ativa, combinando força e aeróbico, é uma das poucas estratégias de prevenção que está, de fato, sob o seu controle.