A gente fala, fala e fala, mas mesmo assim é difícil visualizar os estragos que um treino sem acompanhamento de um profissional habilitado podem causar. Há quem pense que é exagero, que é estratégia para conquistar alunos ou que, por nunca ter ocorrido nenhum problema está livre deles no futuro. Não é exagero. Nunca deu errado até que dá. Para conscientizar de vez meus leitores, quero contar a história de Maria Eugenia, uma jornalista que sentiu na pele as consequências de treinar sem a supervisão adequada e teve a generosidade de compartilhar sua história comigo.

Maria Eugênia praticava CrossFit em um box onde nem todos os professores eram devidamente habilitados. Após uma aula, já cansada, resolveu fazer por conta própria um exercício recomendado por uma blogueira que ela seguia no Instagram: abdominal invertido na barra. No vídeo que ilustra esta postagem vocês podem observar o exercício e as consequências.

Para começo de conversa, este é um exercício só recomendado para alunos avançados, e mesmo assim, em alguns casos. Sua execução deve ser realizada com auxílio de um “equipamento de segurança”, que consiste em uma tornozeleira com um gancho que se prende na barra, assim, se o aluno por algum motivo não conseguir sustentar o próprio corpo, tem algo que o segure. Pois é, uma simples tornozeleira poderia ter mudado a história de Maria Eugênia.

Pelo vídeo é possível perceber que a execução do movimento está equivocada. Entretanto, nenhum professor a acompanhou, supervisionou ou corrigiu. Nas palavras da própria Maria Eugênia, em depoimento dado para este blog: “O coach não ficava por perto e todos que viam, incentivavam.
Cheguei a postar diversas fotos pendurada nessa mesma barra.”

Um dia, talvez pelo cansaço, talvez pelo suor que tenha feito seu corpo deslizar, ela acabou caindo da barra. Bateu com o braço e a cabeça em um caixote e as costas no chão. Fraturou uma vértebra da coluna em cinco pedaços, comprimindo a medula: “Nesse momento, fiquei paraplégica”, ela conta. Perdeu completamente os movimentos da cintura para baixo.

Várias cirurgias foram necessárias: 12 pinos, uma ponte e duas hastes de titânio foram colocadas na coluna de Maria Eugênia. Uma infecção nos ossos deixou sua vida em risco e gerou a necessidade de mais cirurgias. O parecer dos médicos: ela nunca mais voltaria a andar.

Um ano e meio se passaram e, após muita determinação e fisioterapia, Maria Eugênia conseguiu recuperar alguns movimentos. Continua lutando. Termino a postagem de hoje com outro trecho do depoimento dela para o blog. Fica também meu apelo mais uma vez: não entreguem sua saúde, sua coluna, seu corpo nas mãos de profissionais não habilitados e não sigam prescrições de exercícios ou dietas de blogueiros. Por algum motivo a lei exige diploma para prescrever exercícios ou alimentos.

“Quando vi o post de Ricardo Barbato, lembrei de tudo que passei por
confiar nesses blogueiros que acham que sabem alguma coisa e fiquei
revoltada. Comentei falando da minha história e acho que ele tem muita
sorte de nenhum aluno ter tido alguma lesão, pois já vi exercícios
sendo executados por blogueiras que poderiam facilmente deixar uma
pessoa tetraplégica. Espero que as pessoas tenham mais consciência em
relação a isso…”

Para saber mais sobre Maria Eugênia:

http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-pe/t/edicoes/v/no-recife-jornalista-volta-a-andar-apos-acidente-em-academia/3801100/

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