Durante muito tempo se acreditou que a musculação era prejudicial para crianças. O principal, entre vários argumentos, era que a musculação atrapalharia o processo de crescimento da criança. Hoje isso foi totalmente desacreditado e a musculação é permitida e até mesmo recomendada, existindo academias com professores e aparelhagem especializadas para crianças. Sim, musculação pode ser bom para crianças.

Talvez você esteja assustado com esta afirmação. Mas saiba que ela não é leviana, várias pesquisas sérias foram realizadas antes que se bata o martelo e se permita a prática de musculação para crianças. O Institute of Training Science and Sports Informatics, na Alemanha,  revisou estudos apresentados nas últimas décadas envolvendo treino de força para meninos e meninas com idades entre seis e dezoito anos, concluindo que a musculação pode ser benéfica, quando bem orientada. Esta pesquisa foi publicada em uma conceituada revista chamda “Pediatrics”. Os benefícios dos treinos de força nessa faixa etária não são poucos: melhora do desenvolvimento corporal e da concentração, fortalecimento da massa óssea, redução do risco de lesões, controle do peso, prevenção de hipertensão e melhora na concentração, na sociabilidade e na auto-estima, entre outros.

Você deve estar se perguntando o que mudou para que uma atividade que era contra-indicada de forma unanime passe a ser recomendada. Vou tentar explicar de uma forma simples o que mudou, pois acho importante que se compreenda a informação em vez de aceitá-la. Durante a fase de crescimento, os ossos das crianças crescem da seguinte forma: o osso cresce a partir da parte mais frágil (papo técnico: placa epifisária). Simplificando de forma muito grosseira, é como se a gente pensasse no cabelo e no bulbo capilar: o bulbo capilar se localiza em uma extremidade e é a partir dele que nosso cabelo é feito.

Na tentativa de proteger essa extremidade frágil dos ossos, que é a responsável por seu crescimento, médicos entenderam ser mais seguro proibir a prática de musculação, pois acreditavam que submetendo o osso a sobrecargas, essa região poderia ser danificada, o que consequentemente interromperia o processo de crescimento. Durante muito tempo isso foi aceito como verdade absoluta, até que um grupo de pessoas começou a questionar: “Se uma sobrecarga nessa região interromperia o crescimento, então porque atividades que acabam causando sobrecargas enormes nesta área, como por exemplo o judô ou voley, não causam o mesmo efeito?”. Deu uma grande confusão, foram muito criticados e resolveram pesquisar a fundo o assunto. A conclusão foi surpreendente: musculação não apenas não prejudica, como ainda tem efeitos benéficos nos ossos e no desenvolvimento do corpo da criança.

Com esta descoberta, surgiram diversos estudos sobre assuntos relacionados. Por exemplo, questionou-se a eficácia da musculação em crianças, uma vez que elas não possuem o sistema endócrino em pleno funcionamento e não produziriam alguns hormônios considerados indispensáveis para ganho de massa muscular. Porém, constatou-se que crianças podem ter benefícios como ganho de força graças a adaptações em seu organismo (papo técnico: adaptação do sistema neural). Diante desta afirmativa, alguns disseram que musculação em crianças prejudicaria sua flexibilidade, o que também foi desmentido em estudos posteriores.

É claro que alguns cuidados devem ser observados. Não é qualquer profissional que tem aptidão para prescrever um treino a uma criança. Em primeiro lugar, é indispensável uma avaliação médica para confirmar se a criança está realmente apta a esta prática. Não compete ao profissional de educação física avaliar isto, e sim ao pediatra. Após a autorização do pediatra, é indispensável procurar um profissional com experiência na área, que conheça as peculiaridades. Por exemplo, como regra geral, não é recomendado que crianças façam levantamento antes dos oito anos de idade. Também existem estudos (recomendo os da American Academy of Pediatrics) orientando que o profissional de educação física opte por exercícios que trabalhem simultaneamente diversos grupos musculares e que a execução dos exercícios trabalhe toda a amplitude de movimento.

Como você pode ver, é indispensável que o profissional tenha muito conhecimento técnico e que tenha a sensibilidade de perceber os limites da criança e tornar a atividade divertida e prazerosa. É preciso estar atento e respeitar as diferenças individuais e estar atento para a maturidade física e psicológica da criança, afinal. Não custa ressaltar que a meta não é o ganho de massa muscular, por favor, ninguém quer deixar o seu filho “musculoso”, isso seria uma atrocidade. A meta é um desenvolvimento mais saudável e prevenção de diversas doenças. A musculação vem se mostrando muito eficiente em crianças com determinados problemas de saúde como sobrepeso e diabetes e assegura benefícios a longo prazo para seu filho, alguns deles para o resto da vida.

Eu sei que não se derruba um mito como este, alimentado durante anos, do dia para a noite. É natural que os pais tenham receios e ressalvas. Não peço que acreditem cegamente em mim e sim que pesquisem. Instituições sérias como a Academia Americana de Pediatria, o Colégio Americano de Medicina Esportiva e a Sociedade Canadense de Medicina Esportiva recomendam musculação para crianças. Os treinos podem ser supervisionados de perto pelos pais e as crianças costumam se divertir muito quando são devidamente incentivadas pelo seu professor. Pense com carinho sobre o assunto e pesquise. Está na hora de derrubar esse tabu.


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