Musculação, além de todos aqueles benefícios que a gente já conhece, proporciona benefícios específicos para diabéticos, melhorando a tolerância à glicose. Porque isso acontece? A prática de atividade física, em especial de musculação, facilita a entrada da glicose nas células, impedindo que ela se acumule na corrente sanguínea como costuma acontecer com os diabéticos.

É fato que a atividade física no geral melhora a qualidade de vida de portadores de diabetes, mas a musculação é uma atividade especialmente recomendada, uma vez que trabalha com contração muscular de forma potencializada, ou seja, uma contração muscular resistida por um peso, acentuando seus benefícios, somado aos inúmeros benefícios do ganho de massa muscular, que nós já estamos cansados de saber. Muitas pessoas pensam que por praticar musculação o diabético “queima” mais açúcar e por isso esta atividade seria benéfica. Na verdade, é um pouco mais complicado, já que o organismo do diabético tem dificuldade justamente em “queimar” a glicose. Então, porque a musculação beneficiaria tanto os portadores de diabetes?

A contração muscular gerada pelo exercício de musculação aciona um transportador de glicose chamado GLUT4, que geralmente fica “lá no fundo da célula” (muitas aspas aqui). A contração muscular “acorda” este GLUT4, causando uma movimentação: ele migra da parte interna da célula para a superfície. Quando chega na superfície, ele consegue absorver a glicose do sangue de modo muito mais eficiente, proporcionando aquilo que o organismo do diabético geralmente tem muita dificuldade em fazer: “queimar” a glicose, ajudando a reduzir os níveis de glicose no sangue.

É como se você tentasse comer um prato de comida tampado por uma cúpula de vidro e não conseguisse alcançar a comida. Se você não comer a comida que vai chegando diariamente até você, com o tempo ela se acumula e isso terá conseqüências negativas. A musculação retira essa cúpula de vidro e permite que você (ou seja, o GLUT4), alcance a comida (a glicose que está no sangue), impedindo assim que ela se deposite ali e prejudique o organismo.

A melhor parte é que esse processo de liberar os seus GLUT4 para alcançar a glicose que está no sangue é completamente independente da insulina, quer dizer, mesmo que não exista produção de insulina no organismo, será possível baixar o nível de glicose no sangue. Se você pensava que a única forma de diminuir a glicose do sangue era a insulina, conheça a parceria Musculação/GLUT4.

Porém, como qualquer grupo especial, a musculação é recomendada DESDE QUE seja acompanhada de perto por uma equipe multidisciplinar e um profissional de educação física qualificado, que tenha conhecimento específico nesta área. O profissional deve estar atento a uma série de fatores, pois da mesma forma que a musculação pode beneficiar, também pode prejudicar. Por exemplo, uma pessoa portadora de diabetes cujos níveis de glicose no sangue estão alterados pode sofrer um quadro de hipoglicemia se realizar um treino padrão sem maiores cuidados. Então, para começo de conversa, alguns exames são indispensáveis antes de começar a treinar. Um bom professor (e/ou uma boa academia) orientarão o aluno nesse sentido.

Também é preciso que o profissional converse com o médico sobre os efeitos dos medicamentos utilizados pelo aluno. Rápido exemplo: um aluno que faz uso de insulina e de betabloqueadores concomitantemente pode mascarar sintomas de hipoglicemia e até mesmo sintomas de elevação de freqüência cardíaca! Além disso, ao longo da prática de musculação, é provável que sejam necessários ajustes na dose de insulina do aluno (se este for insulinodependente), pois haverá maior queima de glicose.

Os benefícios são sensacionais não apenas na teoria, como na prática também. Eu já tive um aluno portador de diabetes (do tipo II) que conseguiu, apenas com atividade física, abandonar a medicação. Parece mentira, né? No começo ele duvidou que isso fosse possível, mas mostrei diversos estudos que comprovavam ser possível (tem um muito interessante na revista científica “Diabetes Care”) e ele se dispôs a tentar. Hoje, está livre de medicamentos.

Cada tipo de diabetes requer cuidados especiais. Seria impossível listar tudo aqui, mas, só para vocês terem uma idéia, o tipo I (para simplificar, aqueles que usam insulina) precisam ter um cuidado especial atentando para o horário da aplicação da insulina e o horário do treino. Em alguns casos até o local da aplicação deve ser revisto. Os do tipo II (para simplificar, aqueles que não fazem uso de insulina) demandam maior cuidado com exercícios com sobrepeso que possam comprimir de alguma forma o sistema circulatório.

A musculação também vai levar à diminuição de gordura corporal, do colesterol LDL (em bom português, colesterol ruim) e aumento de massa muscular. Estes benefícios são especialmente importantes para diabéticos pois ajudarão a prevenir doenças comumente associadas à diabetes como hipertensão, doenças coronarianas e outras. Não sou eu quem diz,  um estudo da American College of Sports Medicine concluiu que o indivíduo diabético deve se exercitar de 5 a 7 dias por semana, com a duração entre 30 – 40 minutos e, a título de curiosidade, caso pratique uma atividade aeróbica, a intensidade deve respeitar entre 60 à 75 da Frequência Máxima ou 50 à 60% do VO2máx. Exercícios de instensidade elevada ou longa duração ou sob altas temperaturas devem ser evitados.

Por isso, fica aqui a mesma recomendação que deixei na semana passada às gestantes: abandonem o preconceito, musculação é bom para você. Porém certifiquem-se de estar nas mãos de um profissional capacitado para lidar com suas particularidades, que deve desenvolver um trabalho em contato com seu médico.

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